quinta-feira, 27 de setembro de 2007
Aqui não acontece isso!
- Pois é, aqui na Argentina acontecem essas coisa, eu sei que no Brasil isso não acontece, mas aqui, aqui acontecem.
Foi uma risada só dentro do ônibus. O mais gaiato ainda retrucou:
- 1 milhão de dólares não tapa nem as cáries do Renan Calheiros!
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Ditadura pela via "pacífica"
http://undbrasil.org/index.php?option=com_content&task=view&id=39&Itemid=54
Depois de lerem o texto do link acima, explico que em junho, eu havia escrito algo semelhante, sem nenhum embasamento sociológico ou político, por pura análise dos fatos. O texto chama-se "A beira do abismo?" e está no link: http://myselfrs.blogspot.com/2007/06/beira-do-abismo.html
Sugestão: leiam os dois (ambos são curtos), os comparem e tirem suas conclusões.
Buenos Aires
Os restaurantes são ótimos, principalmente os de Porto Madero. São ótimos, mas são caros também. É possível comer muito bem por lá, desde que se pague por isso. Os brasileiros têm sempre 40% de desconto em tudo, em função da desvalorização do Peso em relação ao Real (1,00 Real = 1,40 Pesos). A oferta de produtos de altíssima qualidade é farta. Encontra-se lojas de marcas consagradas no cenário mundial (Hugo Boss, Lacoste, Nike, Adidas, Armani, etc) em vários redutos da cidade. Óbvio que os preços são proporcionais à qualidade dos produtos.
Estive também no Bairro da Boca, em La Bombonera. O estádio é uma atração aos amantes do futebol que visitam Buenos Aires. Quem entra nas arquibancadas logo percebe porque o Boca Juniors é tão forte dentro da sua casa. A proximidade da torcida com o campo é muito grande, cerca de 1 metro ou menos que isso. E outro detalhe que salta aos olhos dos visitantes é a devoção dos argentinos por Maradona, é quase uma religião.
sábado, 15 de setembro de 2007
O GRENAL
O Inter vem de vitória (3 a 0 em cima do Flamengo), mas foi derrotado em casa no último clássico e quer reverter isso. Conta com diversos reforços trazidos pela direção colorada. E agora? E agora nada!
Só domingo, depois do apito final, me arrisco a qualquer palpite. Além disso, além de somar três pontos preciosos, este clássico traz outras duas coisas importantes ao vencedor. Quem vencer mantem-se ou ultrapassa o adversário na tabela, e ainda, está na porta da Libertadores 2008. É o GRENAL do ano.
sábado, 8 de setembro de 2007
Top 10 - Música brasileira
Marcou a MPB, como os álbuns “Minas”, “Milagre dos Peixes” e os dois volumes do “Clube da Esquina”, responsáveis pela consagração de toda uma geração da músicos mineiros, que inclui Beto Guedes, Tavinho Moura, Toninho Horta, Nivaldo Ornellas e Nelson Ângelo. Sempre lembrado como um dos maiores representantes da música brasileira, Milton ganhou, em 1998, o Grammy de World Music com “Nascimento". 9º - RPM
Grupo de rock surgido em 1985, foi um dos mais populares do país nos anos de 1986 e 87. Com influências do pop-rock inglês (o vocalista Paulo Ricardo morou em Londres por dois anos na primeira metade da década de 80), a primeira faixa de sucesso foi “Louras Geladas”, incluída no LP “Revoluções por Minuto” expressão que deu origem ao nome da banda. Em 1986, com o lançamento de “RPM ao Vivo”, um sucesso absoluto de vendas, o grupo tornou-se um fenômeno
nacional.
8º - CÁSSIA ELLER
Lançou seu primeiro LP, “Cássia Eller”, em 1990. Além de “Por Enquanto”, o disco incluía, entre outras, “Eleanor Rigby”, dos Beatles, e “O Dedo de Deus”, de Arrigo Barnabé e Mário Manga. Em seguida fez shows com o guitarrista Victor Biglione, com repertório de blues, o que a deixou conhecida como cantora de blues e rock. Dois anos depois do primeiro veio o segundo disco,
“O Marginal”, que consolidou o timbre grave de sua voz. O último disco, “Acústico MTV”, beirava o meio milhão de cópias vendidas quando Cássia faleceu tragicamente aos 39 anos, no auge do sucesso.
7º - BARÃO VERMELHO
Grupo de rock fundado em 1981 no Rio de Janeiro com quatro integrantes, só no ano seguinte encontrariam o vocalista Cazuza e gravariam o primeiro LP, "Barão Vermelho", pela Som Livre. Em janeiro de 1985 participam do festival Rock In Rio e em junho é anunciada a saída do vocalista Cazuza, que parte para carreira solo, e a entrada de Fernando Magalhães e Peninha. Frejat passa a ser vocalista e o Barão assina contrato com a Warner. Seu último trabalho é o DVD "Barão MTV ao vivo" gravado em 2005 no RJ.
6º - RAUL SEIXAS
Em 1972 é contratado pela Philips, que lança seus primeiros grandes sucessos, “Ouro de Tolo”, “Metamorfose Ambulante”, “Al Capone” e “Mosca na Sopa”. Mudou de gravadora outras vezes, brigando com todas elas. Outros sucessos foram “Maluco Beleza”, “Rock da Aranha” e “Carimbador Maluco”, do especial infantil “Plunct Plact Zum”. No final da carreira, com mais de 20 LPs gravados, problemas com o alcoolismo lhe causaram uma pancreatite fatal.
5º - LEGIÃO URBANA
Um dos grupos de rock mais importantes para o movimento BRock, o Legião Urbana surgiu em Brasília em 1983, numa época fértil do cenário roqueiro da capital federal. O primeiro compacto foi lançado em 1985, com "Será", e obteve ampla aceitação do público jovem em todo o Brasil. A partir daí o Legião Urbana se tornou uma febre, angariando milhares de fãs nas décadas de 80 e 90 e sendo considerada a maior banda de rock do país. No total foram oito discos lançados até a morte do vocalista Renato Russo, em 1996, vítima de Aids.
4º - LUIZ GONZAGA
Maior responsável pela divulgação da música nordestina no resto do Brasil, Luiz Gonzaga nasceu na Fazenda Caiçara, em Exu (PE). Saiu de casa em 1930 para servir o exército como voluntário. Ficou no Rio de Janeiro, com uma sanfona recém-comprada. Passa então a se apresentar em ruas, bares e mangues, tocando boleros, valsas, canções, tangos. Foi no programa de calouros de Ary Barroso e tocou seu chamego "Vira e Mexe", com grande aprovação do público e do temível apresentador, que lhe deu nota máxima. Depois de descobrir esse filão no mercado.
3º - CHICO BUARQUE
Compositor, intérprete, poeta e escritor, Chico Buarque é hoje uma referência obrigatória em qualquer citação à música brasileira dos anos 60 pra cá. Sua influência é decisiva em praticamente tudo que aconteceu musicalmente no Brasil nos últimos 35 anos, pelo requinte melódico, harmônico e poético que suas obras apresentam.
2º - ELIS REGINA
Nasceu em Porto Alegre, e desde os 11 anos se apresentava na Rádio Farroupilha, cantando. Fez parte do elenco fixo da emissora, onde trabalhou por algum tempo. Em 1959 assinou o primeiro contrato profissional, na Rádio Gaúcha, e no ano seguinte foi para o Rio de Janeiro, onde gravou o primeiro compacto, pela Continental. Um de seus discos mais marcantes, "Elis e Tom" (com Tom Jobim), foi gravado em 1974 nos Estados Unidos, onde também tornou-se popular.
1º - MARIA BETHÂNIA
Nascida em Santo Amaro da Purificação (BA). Em 1960 foi para Salvador terminar os estudos, e passou a freqüentar o meio artístico, ao lado do irmão Caetano Veloso. Bethânia comemorou 35 anos de carreira em 2001, completados na verdade em 2000. O show de lançamento do novo álbum "Maricotinha" reuniria no palco do Canecão, Rio de Janeiro, uma constelação de grandes nomes da MPB, como Chico Buarque, Caetano Veloso, e Gilberto Gil, prestando sua homenagem à diva.
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Campeonato Brasileiro
Ontem, depois do Tricolor amargar mais uma derrota no campeonato e do centroavante Marcel ter perdido, pelo menos, dois gols feitos (fora o pênalti contra o Fluminense), ele justificou-se, dizendo: "O gol não está saindo, tenho que ter paciência e seguir trabalhando. Vou balançar as redes na hora certa". Pergunta de seleção - Existe uma hora errada para marcar gols numa partida de futebol? Quer dizer, ele ainda não marcou porque se o fizesse poderia estar prejudicando o Grêmio, é isso? Que frase infeliz!
Esse Marcel não é muito mais que o Tuta, não. É seis por meia dúzia.
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Não havia dito, mas ainda está em tempo: o Juventude será rebaixado a Série B.
Eu sei que isso parece mais óbvio, mas eu precisava registrar, só isso.
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SALGUOD TDRAHCROB - Fica ilegível, mas é pooonto do Brasil!
quarta-feira, 29 de agosto de 2007
Punição aos mensaleiros
Um exemplo: Eles deve ter umas cinco casas, carros e fazendas. Vende-se tudo, a exceção da casa ou apartamento de menor valor que servirá para ele morar com a família, o resto volta aos cofres do Brasil. Cassa-se os direitos políticos dele por, pelo menos, 15 anos e manda se virar. Isso sim seria uma punição ideal.
Já vimos em casos anteriores que prender não adianta muito. Paulo Malluf é um exemplo. Então a sugestão é mexer no bolso, é ali que dói.
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
O limite de cada um
“Por favor, não chega perto, não chega perto de mim” pensei o tempo todo que passei naquele lugar, ainda que tentando aparentar tranqüilidade. Temia a aproximação do homem caolho, a poucos metros de mim que, agitado, gritava palavras indecifráveis, puxando a gola da camiseta pra cima e cuspindo no chão enquanto balançava os braços e a cabeça.
Ele foi o primeiro paciente que vi ao chegar, com um grupo de voluntários, a uma instituição, na Grande São Paulo, que trata de dependentes químicos a pessoas com transtornos mentais. A instituição fica no alto de um morro, em área residencial e é protegida apenas por um portão de ferro. Os internos circulam livremente até um grande jardim bem cuidado em frente à casa.
Fazia sete graus naquela manhã de sábado e nada nos protegia do frio na grande varanda coberta onde desenvolveríamos atividades ocupacionais. Alguns internos caminhavam de um lado para o outro, falando sozinhos; outros, curiosos e tremendo de frio, sentaram-se por perto e alguns poucos se aproximaram para conversar. Um senhor sem dentes e vestindo apenas camisa e shorts, sem aparentar incômodo com a temperatura, tentava falar conosco, mas pouco se fazia entender.
Uma mulher baixa, com óculos de sol no alto da cabeça, envolveu minha face com as mãos e aproximou o rosto do meu. Apesar de seu tato carinhoso, temi uma mordida – talvez pelos vários arranhões ainda com sangue aparente em suas bochechas, talvez pela feição que oscilava entre assustada e agressiva. Ela me beijou e abriu um sorriso, interrompendo brevemente o constante desconforto que me causava seu olhar fixo em mim, que senti me perseguir durante toda a visita.
Tentava afastar o medo e agir naturalmente quando homens sujos de restos de comida ou com a calça molhada, cheirando a fezes e urina, vinham me cumprimentar. Entre muitos deles (a instituição abriga quase 150 pacientes), vi poucas mulheres. Uma delas, com fortes traços indígenas e boa parte do cabelo longo já grisalho – características que destoavam do moletom vermelho vivo, com a estampa “Champ” em letras coloridas, e de seu boné preto do “Baco’s Nightclub” -, juntou-se a nós e, com uma voz grave e muito agradável, entoou versos alusivos a Padim Ciço e Santo Mariano. Queria saber sua história. Perguntei sobre filhos e a resposta foram versos de Luiz Gonzaga:
“Meu cigarro de palha
Meu cavalo ligeiro
Minha rede de malha
Meu cachorro trigueiro
Quando a manhã vai clareando
Deixo a rede a balançar
No meu cavalo vou montando
Deixo o cão a vigiar
Cendo um cigarro de vez em quando
Pra esquecer de pra alembrar
Que só me falta uma bonita morena,
Pra mais nada me faltar
Que só me falta uma bonita morena,
Pra mais nada me faltar".
— Sua vaca! Cachorra! Descaraaaada! – uma voz feminina mais aguda atravessou a cantoria. Olhei e disfarcei. Sentada de pernas cruzadas a menos de um metro de nós, uma mulher de cara redonda e cabelo curtinho gritava suas aflições, voltada para o grupo, mas sem alvo específico. Evitei seus olhos para que sua raiva não se personificasse em mim.— Piranha que roubou meu homem! Vagabunda! – continuou, com gestos agressivos. Nem parecia a mesma pessoa que, mais tarde, se agarraria a um dos voluntários com quem dançava as músicas cantadas pelos internos no videoquê.
Enquanto alguns pacientes cantavam e dançavam, envoltos por uma fileira de outros em cadeiras de rodas, a maioria pintava desenhos em papel sulfite nas longas mesas de refeitório localizado no lado esquerdo da varanda. Aproximei-me de um garoto de vinte anos e escutei sua conversa com uma das voluntárias. Chegara ao nível mais avançado de depressão, ouvia vozes e emagrecia rapidamente.
— Vou morrer, estou sentindo meu corpo parar – dizia.
— Imagina, você tá ótimo, pintando super bem. Isso é coisa da sua cabeça – argumento.
— É verdade, eu sinto que ele está parando de funcionar.
Às vezes, me distraía da conversa para olhar para uma moça esguia, que tremia muito. Tinha olheiras escuras, olhos arregalados, semblante sério e cabelo desarrumado e andava de um lado para o outro, sem se acomodar em nenhum lugar. Tentei puxar assunto, mas não me respondeu. Perguntei sobre ela ao garoto.
— Era viciada em drogas e afetou a cabeça.
— Ela fala?
— Sim, mas muito pouco – dizia ele, que logo voltava a falar de si.
— Você tem orkut? Eu gostava tanto de mexer no orkut! Olha, esse é meu nome, me acha lá e você vai ver como eu era diferente.
Um senhor sereno me contou que a “vaca” da sua mulher o tinha botado lá e roubado sua casa, que ficava no endereço tal e ele mesmo havia construído.
— Lúcido aquele senhor! – comentei com a supervisora do abrigo.
— É sim, mas temos que tomar cuidado com o que eles contam. Parece que ele maltratava muito a família, que não quer saber dele. A maioria dos problemas é causado por alcoolismo. Eles são encontrados na rua, tratados no hospital e trazidos para cá.
Durante o tempo em que fiquei na instituição, meus temores dividiram espaço com o remorso. Lavei minhas roupas só depois de usá-las mais uma vez para provar para mim mesma que não tinha nojo.
— Você não precisa se sentir assim. Não é preconceito, mas o limite de cada um – disse minha terapeuta naquela semana.
Com freqüência lembro de cenas como a da mulher magrinha e tímida, que usava meias listradas em preto e branco até o joelho com sandálias havaianas cor-de-rosa, e encostada na parede observava o movimento; a linda senhora com compridos cabelos brancos e olhos muito azuis, que tinha esparadrapos no rosto tapando os arranhões que levou da cantora pernambucana em uma disputa pelo quarto; e a do homem com cara de turco pedindo cigarro por meio de gestos cada vez que passava por mim, impaciente, como se eu tivesse e não quisesse lhe dar.
Não voltei mais ao local.
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
Julgamento de um Soldado
- Um passo a frente, Soldado! Como vou fazer contigo? - Questionou Deus.
- Fostes fiel à Igreja? Deste o outro lado da face ao inimigo?
O Soldado se perfilou e respondeu:
- Não, não Senhor! Nós que andamos armados, nem sempre podemos ter amor. Na maioria dos domingos eu estava de serviço. Na Igreja não fui, não Senhor. Em muitos momentos eu falei de modo impuro. Existiram situações em que fui violento, pois meu mundo me exigia isso. Mas nunca guardei um tostão que a mim não pertencesse e quanto mais uma conta se acumulava, aos trabalhos extras eu me dedicava, e de minha família me afastava. Mas as vezes, Senhor me perdoa, eu chorei por coisas à-toa e por dores dos outros. Reconheço que não mereço ficar entre os que já estão em Seu meio, que jamais me quiseram por perto, a não ser quando sentiram receio. Se tiver um lugar para mim, como nunca consegui muito mesmo, luxuoso não precisa ser. E caso não haja nenhum, eu saberei entender.
Fez-se silêncio em redor do Trono, onde os Santos passeavam, e o Soldado esperou o veredito do Senhor.
- Teu corpo serviu com alma e coração. Fez-te escudo para o próximo. Portanto, anda em paz pelo Paraíso ... Inferno já foi tua Missão.
terça-feira, 14 de agosto de 2007
Democracia indigesta
"Em 1978, quando cheguei aqui, o governo brasileiro era militar, mas eu tinha segurança ao andar nas ruas e consegui emprego facilmente na universidade, o único problema era que a imprensa não tinha liberdade de expressão. Hoje, a imprensa é livre para dizer o que bem entender, mas não se consegue emprego tão facilmente e as ruas estão perigosíssimas. O que me importa saber o que acontece aqui ou ali, se não posso trabalhar nem ter segurança? Acho que a democracia não fez bem ao Brasil".